segunda-feira, 26 de outubro de 2009

A tomada de Odessa

A coisa foi feia ontem, enquanto vocês curtiam seu domingo de primavera nos paralelos do hemisfério sul, eu suava a camisa nesta guerra que continua e não acaba nunca.....

Era abril de 1944
Estavamos com os russos, com seus uniformes pardacentos , prontos para tomar alguns edifícios no centro da cidade de ODESSA.


Por sorte eu consegui um fuzil russo semi-automatico.
O SVT-40
O Samozariadnaia Vintovka Tokareva, Obrazets 1940 goda (Fuzil de Auto-Carregamento, Modelo 1940)
Fuzil de pente com capacidade de 10 tiros

Este que está na foto
Normalmente eu me viro com os fuzis de ferrolho, no caso do exército russo, os famosos MOSIN-NAGANT , com capacidade para 5 tiros, rifles muito precisos, mas para uma tomada de assalto na cidade eu agradeci aos céus ter conseguido um fuzil semi-automático, me senti muito mais protegido e seguro com sua cadência de tiro rápido e sua alta capacidade de munição, e leve em conta que ele também recebia baionetas.
O assalto começa, e estamos em algumas dezenas de homens, eu rapidamente calo a baioneta e disparo rumo ao primeiro edifício....
Vejo os alemães correndo para tomar posições, muitos entram no edifício em escombros e se posicionam nas janelas e paredes destruídas, o tiroteio começa.
Nossos metralhadores armam os bipés das suas armas, nas barreiras de sacos de areia, os alemães fazem o mesmo....
Em breve o matraquear ensurdecedor das metralhadoras, o espoucar irregular dos fuzis, e o estrondo das granadas toma conta do cenário....
Vejo meus amigos tombarem ao meu redor, gritos e gemidos de dor, me atiro ao chão no momento exato em que balas passam zunindo sobre a minha cabeça, rastejo até um buraco e participo da tomada de uma posição estratégica....
O primeiro alemão morre pelas minhas mãos, numa sucessão de tiros do meu fuzil semi automático, descarrego mais balas em outros chucrutes, ferindo alguns e errando os tiros em outros, com rapidez nós expulsamos os krauts do prédio, levantamos do chão e corremos com as baionetas prontas para perfurar os inimigos que sobraram.
Os krauts agora estão lá na frente, no fundo da rua, onde tem uma barreira de sacos de areia e também uma torre alta, onde alguns atiradores de elite, armados com fuzis com e sem luneta começam a derrubar meus camaradas.
Novamente eu me atiro ao chão, e desta vez eu lamento por não ter um mosin-nagant de ferrolho, que com sua estabilidade excepcional me ajudaria a matar alguns dos safados no alto da torre, mesmo assim faço pontaria, com a mira oscilando um pouco mais como é tipico dos semi automáticos daquele teatro de operações, e quando atiro fico surpreso e satisfeito ao ver que um chucrute é abatido, um sorriso me aflora aos lábios, continuo naquela posição, descarrego alguns pentes de munição, alguém joga uma granada de fumaça, que obscurece a visão , mesmo assim eu continuo atirar no mesmo lugar, eu sei que a janela está lá, e que os porcos nazistas adoram aquela posição.
E qual não é o meu espanto!
Quando percebo que acabei acertando mais um, mesmo sem enxergar direito.
Ele cai daquela altura superior a 30 metros e se estatela no chão.
Eu recarrego minha arma, fico de pé e corro na direção da torre, agachando com frequência atrás de algumas linhas de sacos de areia, vejo alguns chucrutes correndo na minha direção, eu erro muitos tiros na pressa, mas alguns camaradas me livram do perigo, agora uma metralhadora matraqueia com vontade atrás de mim, é amigo e espero que ele não me confunda com algum inimigo....
Eu tento avançar para tomar a torre, o momento é tenso, penso que terei que usar a baioneta, de repente vejo um kraut passar sem me ver, a uma dezena de metros, faço pontaria, vou pega-lo pelas costas, não tem jeito, mas antes que eu atire eu percebo mais um inimigo, mais a frente e mais próximo, naquele momento de indecisão, eu não modifico meu objetivo, e me arrependo muito por isto.
O boche me atinge com uma bala do seu fuzil KAR98.
O sangue se espalha e a dor me faz gemer, a visão escurece e o combate termina para mim.
(Relato de Nicolaiev Cachorrowski, soldado virtual de RED ORCHESTRA no dia 25/10/2009 )